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O verão de 2020

O ano de 2020 foi um capítulo 'inesquecível' na história do homem moderno. Enfrentamos uma pandemia que nos paralizou e nos tirou a liberdade de respirar livremente.

Quando o isolamento social foi estabelecido em Los Angeles (13 de março), fiquei muito assustada e me sentia bastante insegura do que viria no futuro. Lembro-me das filas na porta do supermercado, todos afastados em pelo menos 2 metros de distância usando lenços para cobrir o rosto. Tudo muito estranho...

Estávamos isolados, impedidos de compartilhar nossa presença com as pessoas que nos cercam, de abraçar os que amamos. Não havia gente na rua e sequer cruzávamos caminhos com estranhos, esses que em tempos normais representam pouco no dia-a-dia. Eles simplesmente estão lá, na rua, no mercado, no cinema, no restaurante e etc. Mas naquele momento, até os fortuitos estranhos faziam falta. Eu acreditei que em 3 ou 4 meses tudo iria se normalizar. Impressionate a nossa capacidade de resistir às
 mudanças profundas, que nos fazem questionar o que é normal e o que é perene. Foi um desafio muito grande.

Em meados de julho, a situação estava relativamente sob controle e aos poucos retomávamos o direito de conviver. E no auge do verão californiano começamos a ir á praia. Ah, a praia!! E as bênçãos da divindade das águas nos trouxeram alívio. Estávamos de volta, juntos, vivos. Marcos, meu amigo-irmão, e eu tínhamos uma rotina: todo final de semana ele passava para me buscar. E eu já o esperava com o kit conforto pronto: petiscos, água e High Noon Seltzer geladinhas. Sempre fui uma excelente co-piloto, já que não gosto de dirigir. Éramos a dupla perfeita, cada um no seu papel, e o dias simplesmentes corriam perfeitos entre sol, mar e uma roda incrível de amigos. Saíamos da praia inebriados depois de testemunhar o sol megulhar mansamente
 no Oceano Pacífico.

Na última tarde daquele verão perfeito, quando o sol já se preparava pra deitar no horizonte, a praia foi lentamente coberta por uma nuvem branca, que passou plácida sobre nós e depois foi-se embora, efêmera e deslumbrante. Era o primeiro sinal de despedida de um tempo que ficará pra sempre guardado na memória e no coração. 

 

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